Pedro ZuzartePsiquiatria · Lisboa

Terapia assistida por psicadélicos

Um campo de investigação activo, com resultados promissores em algumas indicações e muitas perguntas ainda em aberto. Exige avaliação médica, protocolos e enquadramento.

O campo de investigação

Várias substâncias psicadélicas estão a ser estudadas como parte de tratamentos psiquiátricos, sempre associadas a acompanhamento psicológico estruturado. As indicações mais investigadas são a depressão resistente ao tratamento, a perturbação de stress pós-traumático e algumas adições.

Ensaios clínicos controlados mostraram resultados encorajadores, por exemplo com psilocibina na depressão resistente e com MDMA na perturbação de stress pós-traumático grave. Mas a evidência ainda é limitada em dimensão e em duração do seguimento, e continuam em aberto questões sobre quem beneficia, durante quanto tempo e com que riscos.

O que está aprovado

  • Depressão resistente: existe na União Europeia um tratamento de base psicadélica aprovado para esta indicação, sempre administrado e vigiado em contexto clínico, em associação com um antidepressivo.
  • Psilocibina e MDMA: em Portugal, como na generalidade dos países europeus, não estão aprovados como medicamentos e o seu uso terapêutico ocorre em investigação. A Austrália passou a permitir, desde 2023, a prescrição por psiquiatras autorizados em indicações restritas.

Porque o enquadramento importa

Nestes tratamentos, o efeito não depende só da substância. A avaliação prévia (diagnóstico, história médica e psiquiátrica, medicação), a preparação, o contexto em que a sessão decorre e a integração posterior fazem parte do tratamento. É também este enquadramento que permite identificar quem não deve fazer este tipo de terapia.

O uso fora de contexto clínico, em retiros ou por iniciativa própria, tem riscos reais, que vão de crises de pânico e insónia a quadros psicóticos. Pedro Zuzarte escreveu sobre isto em «Psicadélicos em saúde mental: equilibrando a promessa com a prudência».

Segurança

Algumas situações exigem especial cautela ou contra-indicam estes tratamentos, como antecedentes pessoais ou familiares de psicose, alguns casos de doença bipolar, doença cardiovascular não controlada e interacções com outros medicamentos. A decisão é sempre individual e tomada depois de uma avaliação psiquiátrica completa.

Pedro Zuzarte e esta área

Tem formação em terapias assistidas por psicadélicos pelo CIIS e em terapia assistida por MDMA pela MAPS. Criou em 2022 o programa de terapia assistida por psicadélicos do Centro Clínico das Janelas Verdes, dirige o curso «Introdução à Terapia com Psicadélicos: Investigação e Clínica» da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e é director da KETAMED Portugal, dedicada à terapia assistida por psicadélicos.

KETAMED Portugal

Clínica dedicada ao desenvolvimento da terapia com psicadélicos, com informação própria sobre avaliação, indicações e funcionamento.

Conhecer a KETAMED

Referências

  1. Goodwin GM, et al. Single-dose psilocybin for a treatment-resistant episode of major depression. N Engl J Med. 2022;387(18):1637–1648.
  2. Mitchell JM, et al. MDMA-assisted therapy for severe PTSD: a randomized, double-blind, placebo-controlled phase 3 study. Nat Med. 2021;27(6):1025–1033.
  3. Therapeutic Goods Administration (Austrália). Change to classification of psilocybin and MDMA to enable prescribing by authorised psychiatrists. 2023.

Esta página é informativa e não substitui uma avaliação médica individual.

A primeira etapa é sempre uma consulta de psiquiatria.

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Autor: Pedro Zuzarte, médico psiquiatra · Publicado:

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