A depressão é uma das causas mais frequentes de sofrimento e de incapacidade. Não é um sinal de fraqueza nem algo que se resolva apenas com força de vontade.
O que é
Fala-se de episódio depressivo quando o humor depressivo ou a perda de interesse e de prazer nas actividades habituais estão presentes durante a maior parte do dia, quase todos os dias, durante pelo menos duas semanas, acompanhados de outros sintomas e com impacto na vida pessoal, familiar ou profissional.
Resulta da interacção de factores biológicos, psicológicos e sociais. Doenças físicas, alguns medicamentos e o consumo de álcool podem causá-la ou agravá-la. A relação com a doença cardiovascular é bidireccional: a depressão aumenta o risco cardiovascular e é mais frequente em quem tem doença cardíaca.
Sinais e sintomas
- tristeza, vazio ou irritabilidade persistentes;
- perda de interesse ou de prazer em quase todas as actividades;
- cansaço e falta de energia desproporcionados;
- alterações do sono (insónia ou excesso de sono) e do apetite ou do peso;
- dificuldade de concentração e de tomar decisões;
- lentificação ou, pelo contrário, agitação;
- sentimentos de culpa excessiva ou de falta de valor;
- pensamentos recorrentes de morte ou de suicídio.
Quando procurar avaliação
Quando os sintomas duram mais de duas semanas e interferem com o trabalho, as relações ou o cuidado consigo próprio; quando voltam depois de um período de melhoria; ou quando um tratamento já em curso não está a resultar. Pensamentos de suicídio exigem avaliação urgente.
Como é feita a avaliação
A avaliação psiquiátrica caracteriza o episódio actual e os anteriores, a gravidade e o risco, e procura factores que alterem o tratamento. Um dos pontos mais importantes é perceber se já existiram períodos de euforia, de energia excessiva ou de necessidade reduzida de sono, porque a doença bipolar começa muitas vezes com episódios depressivos e trata-se de forma diferente.
Consoante o caso, podem ser pedidas análises (por exemplo, função tiroideia, vitamina B12, hemograma) para excluir causas médicas, e revista a medicação que a pessoa já toma.
Tratamento
O tratamento depende da gravidade, da história e das preferências da pessoa:
- Depressão ligeira: psicoeducação, activação comportamental, actividade física estruturada e psicoterapia (por exemplo, terapia cognitivo-comportamental) são opções de primeira linha.
- Depressão moderada a grave: a combinação de antidepressivo e psicoterapia é, em geral, mais eficaz do que cada uma isoladamente.
Os antidepressivos demoram habitualmente algumas semanas a produzir efeito. Depois da melhoria, recomenda-se mantê-los pelo menos seis meses para reduzir o risco de recaída; a suspensão deve ser gradual e acompanhada. Regularizar o sono e tratar doenças físicas associadas faz parte do plano.
Depressão resistente ao tratamento
Considera-se resistente a depressão que não responde a pelo menos dois tratamentos antidepressivos adequados em dose e duração. Antes de mudar de estratégia confirma-se o diagnóstico, a adesão e a presença de outros factores (doença física, consumo de álcool, perturbação da personalidade ou de ansiedade associada).
As opções incluem optimizar ou mudar o antidepressivo, associar outro fármaco, intensificar a psicoterapia, tratamentos de base psicadélica aprovados para a depressão resistente e administrados em contexto clínico, e a electroconvulsivoterapia. Saiba mais sobre a terapia assistida por psicadélicos.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre tristeza e depressão?
A tristeza é uma reacção normal a perdas e dificuldades e tende a atenuar-se com o tempo. Na depressão, o humor e o interesse ficam alterados de forma persistente, com outros sintomas (sono, energia, concentração, culpa) e impacto no funcionamento.
Os antidepressivos criam dependência?
Não causam dependência no sentido de adição, nem é necessário aumentar a dose para manter o efeito. A interrupção brusca pode causar sintomas de descontinuação, razão pela qual a redução deve ser gradual e acompanhada pelo médico.
Quanto tempo dura o tratamento?
Varia. Após a remissão de um primeiro episódio, o tratamento farmacológico mantém-se em regra pelo menos seis meses. Em quem teve vários episódios pode justificar-se um tratamento de manutenção mais prolongado.
Referências
- National Institute for Health and Care Excellence. Depression in adults: treatment and management (NG222). 2022.
- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5.ª ed., texto revisto (DSM-5-TR). 2022.
- Organização Mundial da Saúde. Depressive disorder (depression), nota informativa. 2023.
Esta página é informativa e não substitui uma avaliação médica individual.