São profissões diferentes e complementares. Saber o que cada uma faz ajuda a escolher o primeiro passo e a perceber quando faz sentido recorrer às duas.
Psiquiatras e psicólogos trabalham com o sofrimento psíquico, mas partem de formações diferentes e têm ferramentas diferentes. Não se trata de escolher o melhor, mas o mais adequado a cada momento.
A diferença essencial
O psiquiatra é médico. Fez o curso de Medicina e, depois, uma especialização de vários anos em psiquiatria. Por isso avalia a pessoa como um todo, incluindo a saúde física, pode pedir exames, fazer diagnósticos médicos e prescrever medicação.
O psicólogo tem formação universitária em Psicologia e, em Portugal, está inscrito na Ordem dos Psicólogos Portugueses. Faz avaliação psicológica e intervenção psicológica, incluindo psicoterapia, mas não prescreve medicação.
PsiquiatraMédico especialista. Diagnóstico médico, exames, medicação e acompanhamento clínico.
PsicólogoAvaliação e intervenção psicológica, incluindo psicoterapia. Não prescreve medicação.
Duas profissões complementares: muitas vezes, o melhor resultado vem do trabalho conjunto.
O que faz o psiquiatra
avaliação e diagnóstico das perturbações mentais, distinguindo-as de doenças médicas que podem causar sintomas semelhantes, como alterações da tiroide, efeitos de medicamentos ou doenças neurológicas;
pedido e interpretação de análises e de outros exames, quando indicado;
decisão sobre a necessidade de medicação, escolha do fármaco, ajuste da dose e vigilância dos efeitos;
acompanhamento de situações mais graves ou complexas, como depressão grave, doença bipolar ou psicoses;
emissão de relatórios e certificados médicos e articulação com outras especialidades;
intervenções psicoterapêuticas, consoante a formação de cada psiquiatra.
O que faz o psicólogo
avaliação psicológica, com entrevistas, testes e instrumentos padronizados;
psicoterapia, com diferentes modelos, como a terapia cognitivo-comportamental;
intervenção em dificuldades de adaptação, de relação, de regulação emocional e de comportamento;
avaliação neuropsicológica, nos psicólogos com essa diferenciação.
Por onde começar
Faz sentido começar por um psiquiatra quando os sintomas são intensos ou duradouros, quando interferem de forma marcada com o trabalho, os estudos ou as relações, quando há alterações importantes do sono, do apetite ou da energia, quando há pensamentos de morte, quando a psicoterapia isolada não chegou, quando já toma medicação ou quando há dúvidas sobre a causa dos sintomas.
Para dificuldades mais ligeiras, uma fase de vida difícil ou o desejo de se conhecer melhor, a psicoterapia com um psicólogo pode ser um bom primeiro passo. Se for necessário, o psicólogo encaminha para uma avaliação psiquiátrica, e o psiquiatra encaminha para psicoterapia.
Os dois em conjunto
Em muitas situações, como a depressão e as perturbações de ansiedade, a combinação de medicação com psicoterapia tem melhores resultados do que cada uma isolada. A colaboração entre psiquiatra e psicólogo, com o consentimento da pessoa, permite um plano coerente, em que cada um faz aquilo para que está mais bem preparado.
Preciso de ser encaminhado para ir a um psiquiatra?
Não. Numa consulta privada pode marcar diretamente. Se já tiver relatórios, análises ou a lista da medicação, é útil trazê-los.
Ir ao psiquiatra significa tomar medicação?
Não. A consulta serve para compreender o que se passa e definir o plano. Em muitos casos a medicação é útil, mas nem sempre é necessária, e a decisão é tomada em conjunto.
O psiquiatra também faz psicoterapia?
Alguns psiquiatras têm formação em psicoterapia. Na maioria dos planos, a consulta de psiquiatria articula-se com psicoterapia feita por um psicólogo ou psicoterapeuta.
Referências
Lei n.º 57/2008, de 4 de setembro. Cria a Ordem dos Psicólogos Portugueses e aprova o respetivo estatuto.
Cuijpers P, et al. The efficacy of psychotherapy and pharmacotherapy in treating depressive and anxiety disorders: a meta-analysis of direct comparisons. World Psychiatry. 2013;12(2):137–148.
Cuijpers P, et al. Adding psychotherapy to antidepressant medication in depression and anxiety disorders: a meta-analysis. World Psychiatry. 2014;13(1):56–67.
Esta página é informativa e não substitui uma avaliação médica individual. Revisão clínica: Pedro Zuzarte, médico psiquiatra · Publicado e revisto: .
Uma avaliação psiquiátrica pode ser o primeiro passo.