Pedro ZuzartePsiquiatria · Lisboa

Ansiedade

A ansiedade é uma resposta normal ao perigo. Torna-se uma perturbação quando é desproporcionada, persistente e passa a condicionar a vida diária.

As perturbações de ansiedade estão entre as perturbações mentais mais frequentes. Muitas vezes manifestam-se sobretudo por sintomas físicos, o que atrasa o diagnóstico.

O que é

Todos sentimos ansiedade perante situações exigentes; em doses moderadas, ajuda a preparar a resposta. Na perturbação de ansiedade, a preocupação ou o medo são excessivos em relação ao contexto, difíceis de controlar e acompanhados de sofrimento ou de evitamento que limita a vida pessoal e profissional.

Formas e sintomas

Ansiedade generalizada

Preocupação excessiva e difícil de controlar sobre vários temas (saúde, trabalho, família, dinheiro) na maior parte dos dias, durante meses, com tensão muscular, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e sono perturbado.

Perturbação de pânico

Crises súbitas de medo intenso, que atingem o máximo em minutos, com palpitações, falta de ar, aperto no peito, tremores, tonturas, formigueiros e sensação de perder o controlo ou de morrer. Segue-se frequentemente o medo de ter nova crise e o evitamento de locais ou situações (agorafobia).

Ansiedade social e fobias específicas

Medo marcado de situações sociais ou de desempenho, em que a pessoa teme ser avaliada negativamente, ou de objectos e situações concretas, com evitamento desproporcionado.

Quando procurar avaliação

Quando a ansiedade persiste há semanas ou meses, leva a evitar situações importantes, perturba o sono, motiva idas repetidas ao serviço de urgência por sintomas físicos, ou quando se recorre ao álcool ou a calmantes para a controlar.

Como é feita a avaliação

Além da caracterização dos sintomas e do seu impacto, a avaliação procura depressão associada, consumo de substâncias e causas médicas que imitam a ansiedade, como alterações da tiróide, arritmias cardíacas, efeitos de medicamentos ou excesso de cafeína. Quando os sintomas físicos predominam, a articulação com o médico de família ou com a cardiologia pode ser útil.

Tratamento

  • Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental é o tratamento psicológico com melhor evidência, incluindo exposição gradual às situações evitadas.
  • Medicação: alguns antidepressivos (inibidores selectivos da recaptação da serotonina e da noradrenalina) são a primeira opção farmacológica para tratamento prolongado. Outros fármacos podem ser considerados em situações específicas.
  • Benzodiazepinas: aliviam depressa, mas o uso continuado leva a tolerância e dependência. Reservam-se, em regra, para períodos curtos e bem definidos.

Sono regular, redução da cafeína e do álcool e actividade física fazem parte do tratamento e potenciam as restantes medidas.

Perguntas frequentes

Um ataque de pânico é perigoso?

É uma experiência muito intensa, mas uma crise de pânico isolada não causa lesão no coração nem leva à morte. Na primeira crise, ou quando há dúvida, é importante excluir uma causa médica, sobretudo cardíaca.

A ansiedade pode causar sintomas físicos?

Sim. Palpitações, falta de ar, dor ou aperto no peito, tonturas, queixas digestivas e tensão muscular são frequentes. Depois de excluída uma causa médica, estes sintomas fazem parte do quadro e melhoram com o tratamento da ansiedade.

Os calmantes resolvem a ansiedade?

As benzodiazepinas aliviam os sintomas a curto prazo, mas não tratam a perturbação e o uso prolongado causa tolerância e dependência. O tratamento de base é a psicoterapia e, quando indicado, antidepressivos.

Referências

  1. National Institute for Health and Care Excellence. Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management (CG113). 2011, actualizada em 2020.
  2. Baldwin DS, et al. Evidence-based pharmacological treatment of anxiety disorders, post-traumatic stress disorder and obsessive-compulsive disorder: a revision of the 2005 guidelines from the British Association for Psychopharmacology. J Psychopharmacol. 2014;28(5):403–439.
  3. American Psychiatric Association. DSM-5-TR. 2022.

Esta página é informativa e não substitui uma avaliação médica individual.

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