Depois de um acontecimento traumático, é normal haver uma reação intensa. Quando os sintomas persistem e limitam a vida, pode tratar-se de stress pós-traumático, que tem tratamento.
Um acidente, uma agressão, uma situação de guerra, a perda súbita de alguém ou a experiência de ver a própria vida em risco podem deixar marcas que não desaparecem sozinhas.
O que é
A perturbação de stress pós-traumático pode surgir depois da exposição a um acontecimento ameaçador ou horrível, vivido diretamente ou testemunhado. Nas primeiras semanas, muitas pessoas têm sintomas intensos que melhoram progressivamente. Fala-se de perturbação quando os sintomas persistem, causam sofrimento significativo e interferem com a vida diária.
Profissionais de emergência, forças de segurança, militares e profissionais de saúde estão particularmente expostos.
Reexperiência
Evitamento
Alterações do humor e do pensamento
Hiperativação
Os quatro grupos de sintomas do stress pós-traumático.
Sintomas
reexperiência: memórias intrusivas, pesadelos ou a sensação de reviver o acontecimento;
evitamento de lugares, pessoas, conversas ou pensamentos ligados ao trauma;
alterações do humor e do pensamento: culpa, vergonha, distanciamento dos outros, perda de interesse;
hiperativação: estado de alerta permanente, sobressaltos, irritabilidade, dificuldade em dormir e em concentrar-se.
Quando procurar ajuda
Quando os sintomas se mantêm ao fim de algumas semanas, se agravam, levam a evitar situações importantes ou ao consumo de álcool ou de outras substâncias para os aliviar. Pensamentos de suicídio exigem avaliação urgente.
Avaliação
A avaliação procura compreender o acontecimento, os sintomas e o seu impacto, ao ritmo da pessoa e sem forçar o relato. Procura também condições frequentemente associadas, como depressão, insónia, ataques de pânico ou consumo de substâncias.
Tratamento
psicoterapia focada no trauma, como a terapia cognitivo-comportamental focada no trauma ou o EMDR, é o tratamento de primeira linha;
medicação: alguns antidepressivos podem ser úteis, sobretudo quando há depressão associada ou quando a psicoterapia não está disponível ou não é suficiente;
Sim. Nas primeiras semanas, muitas pessoas têm memórias intrusivas, pesadelos ou ansiedade. Na maioria, estes sintomas diminuem com o tempo. Quando persistem ou se agravam, justifica-se uma avaliação.
Tenho de contar tudo o que aconteceu na primeira consulta?
Não. A avaliação respeita o ritmo de cada pessoa. O importante, no início, é compreender o impacto dos sintomas e criar condições de segurança.
O stress pós-traumático pode surgir anos depois?
Sim. Em algumas pessoas os sintomas aparecem ou agravam-se muito depois do acontecimento, por vezes desencadeados por novas situações de stress.
Referências
National Institute for Health and Care Excellence. Post-traumatic stress disorder (NG116). 2018.
Bisson JI, et al. Post-traumatic stress disorder. BMJ. 2015;351:h6161.
Esta página é informativa e não substitui uma avaliação médica individual. Revisão clínica: Pedro Zuzarte, médico psiquiatra · Publicado e revisto: .
Uma avaliação psiquiátrica pode ser o primeiro passo.