O luto é a resposta natural à perda de alguém importante. Não é uma doença. Mas, em algumas pessoas, fica bloqueado e passa a impedir a vida de continuar.
Não há uma forma certa nem um prazo fixo para fazer o luto. Cada perda é única, tal como a relação que se perdeu.
O luto esperado
Tristeza intensa, saudade, choro, dificuldade em dormir, culpa, raiva ou a sensação de que a pessoa ainda está presente são reações frequentes depois de uma perda. Com o tempo, a dor tende a tornar-se menos constante e mais compatível com a vida diária, mesmo que nunca desapareça por completo.
Luto prolongado
Em algumas pessoas, o luto mantém-se intenso muito para além do esperado, com saudade e preocupação persistentes com quem morreu, dificuldade em aceitar a perda, sensação de que parte de si morreu, entorpecimento emocional e incapacidade de retomar a vida. Quando isto persiste durante um período prolongado e causa um impacto marcado, fala-se de perturbação de luto prolongado.
Perdas súbitas, violentas ou de uma criança, relações de grande dependência e falta de apoio aumentam o risco.
Luto e depressão
No luto, a dor centra-se na perda e convive, em geral, com momentos de alívio e com memórias positivas. Na depressão, o humor está em baixo de forma mais global, com perda de interesse por quase tudo, sentimentos de falta de valor e culpa que vão além da perda. As duas podem coexistir, e a depressão deve ser tratada mesmo quando surge no contexto de um luto.
Quando procurar ajuda
Quando a dor não diminui com o tempo, quando se torna impossível retomar o trabalho ou as relações, quando o sono, a alimentação ou o consumo de álcool ficam muito alterados, ou quando surgem pensamentos de querer morrer ou de juntar-se a quem partiu. Estes últimos exigem avaliação urgente.
Que apoio existe
Muitas pessoas fazem o luto com o apoio da família e dos amigos. Quando o luto se complica, existem psicoterapias específicas com eficácia demonstrada. A medicação não trata o luto em si, mas pode ser necessária para tratar uma depressão, uma perturbação de ansiedade ou uma insónia associadas.
Não há um prazo certo. A dor costuma tornar-se menos intensa e constante ao longo dos meses, mas o tempo varia muito de pessoa para pessoa e com as circunstâncias da perda.
Devo tomar medicação durante o luto?
O luto normal não precisa de medicação. Ela pode ser útil quando há uma depressão, uma ansiedade marcada ou uma insónia persistente associadas, avaliadas em consulta.
Como ajudar alguém em luto?
Estar presente, ouvir sem pressa e sem tentar corrigir a dor, e ajudar nas tarefas práticas. Se a pessoa falar em morrer, procure ajuda imediata.
Referências
Shear MK. Complicated grief. N Engl J Med. 2015;372(2):153–160.
American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5.ª ed., texto revisto (DSM-5-TR). 2022.
Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças, 11.ª revisão (CID-11), 6B42 Perturbação de luto prolongado. 2019.
Esta página é informativa e não substitui uma avaliação médica individual. Revisão clínica: Pedro Zuzarte, médico psiquiatra · Publicado e revisto: .
Uma avaliação psiquiátrica pode ser o primeiro passo.