PHDA no adulto

A perturbação de hiperatividade e défice de atenção não termina na infância. Em muitos adultos persiste, com impacto no trabalho, nas relações e na organização do dia a dia.

Muitos adultos com PHDA passaram anos a compensar dificuldades de atenção e de organização sem saber porquê. O diagnóstico correto pode mudar a forma como se compreendem a si próprios.

O que é

A PHDA é uma perturbação do neurodesenvolvimento: os sintomas começam na infância, mesmo que só sejam reconhecidos mais tarde. Caracteriza-se por um padrão persistente de desatenção, de hiperatividade e de impulsividade, ou de ambos, que interfere com o funcionamento em mais do que um contexto.

No adulto, a hiperatividade visível da infância dá muitas vezes lugar a uma inquietação interior, a dificuldade em relaxar e a uma sensação de estar sempre em movimento.

  • Desatenção
  • Hiperatividade
  • Impulsividade
  • Desde a infância
  • Em mais do que um contexto
O diagnóstico exige um padrão persistente, com início na infância e impacto em mais do que uma área da vida.

Como se manifesta

  • dificuldade em manter a atenção em tarefas longas ou pouco estimulantes;
  • adiamento crónico, dificuldade em começar e em terminar tarefas;
  • desorganização, esquecimentos frequentes e perda de objetos;
  • dificuldade em gerir o tempo e em cumprir prazos;
  • impulsividade nas decisões, nas compras ou na forma de falar;
  • inquietação, dificuldade em estar parado e necessidade de estímulo;
  • oscilações emocionais rápidas e baixa tolerância à frustração.

Porque o diagnóstico é muitas vezes tardio

Inteligência, estrutura familiar ou estratégias de compensação podem esconder as dificuldades durante anos. Nas mulheres, a apresentação predominantemente desatenta é mais frequente e mais facilmente passa despercebida. Muitas vezes, a procura de ajuda acontece por ansiedade, depressão, insónia ou esgotamento, e só depois se reconhece a PHDA por detrás.

Avaliação

O diagnóstico é clínico. Reconstrói a história dos sintomas desde a infância, o seu impacto atual e a presença de outras condições que podem imitar ou acompanhar a PHDA, como ansiedade, depressão, doença bipolar, alterações do sono ou consumo de substâncias. Sempre que possível, ouvir alguém próximo ajuda a completar a informação.

Podem usar-se escalas e questionários de apoio, mas nenhum teste isolado faz o diagnóstico. Antes de iniciar medicação avalia-se também a saúde cardiovascular, incluindo a pressão arterial e a frequência cardíaca.

Tratamento

  • psicoeducação: compreender a PHDA ajuda a reorganizar expectativas e estratégias;
  • medicação: existem fármacos estimulantes e não estimulantes com eficácia demonstrada em adultos, escolhidos e ajustados de forma individual;
  • intervenção psicológica: a terapia cognitivo-comportamental adaptada à PHDA trabalha a organização, a gestão do tempo e a regulação emocional;
  • tratar o que acompanha: ansiedade, depressão ou insónia associadas fazem parte do plano.

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Perguntas frequentes

A PHDA pode surgir só na idade adulta?

Os sintomas começam na infância, mas podem só ser reconhecidos na idade adulta, quando as exigências aumentam e as estratégias de compensação deixam de chegar.

A medicação para a PHDA é segura?

Quando bem indicada e acompanhada, sim. A escolha considera a saúde cardiovascular, outras condições e a medicação habitual, e o efeito e a tolerância são revistos de forma regular.

Ter dificuldade de concentração significa ter PHDA?

Não. A concentração pode estar afetada por ansiedade, depressão, falta de sono, stress ou outras causas. A avaliação serve precisamente para distinguir.

Referências

  1. National Institute for Health and Care Excellence. Attention deficit hyperativity disorder: diagnosis and management (NG87). 2018, atualizada.
  2. Kooij JJS, et al. Updated European Consensus Statement on diagnosis and treatment of adult ADHD. Eur Psychiatry. 2019;56:14–34.
  3. Faraone SV, et al. The World Federation of ADHD International Consensus Statement: 208 evidence-based conclusions about the disorder. Neurosci Biobehav Rev. 2021;128:789–818.

Esta página é informativa e não substitui uma avaliação médica individual. Revisão clínica: Pedro Zuzarte, médico psiquiatra · Publicado e revisto: .

Uma avaliação psiquiátrica pode ser o primeiro passo.

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