Nem toda a queixa de memória significa demência. Mas também não deve ser desvalorizada, sobretudo quando é nova, progressiva ou notada por quem está próximo.
O que são
As funções cognitivas incluem a memória, a atenção, a velocidade de processamento, a linguagem e as funções executivas: planear, organizar, decidir. As queixas podem ser subjectivas, com testes normais, ou corresponder a um défice mensurável, ligeiro ou suficiente para interferir com a autonomia.
Causas possíveis
- depressão, ansiedade e insónia, causas muito frequentes e tratáveis;
- medicamentos (por exemplo, com efeito anticolinérgico ou sedativo) e álcool;
- défice de vitamina B12, alterações da tiróide e outras causas metabólicas;
- doença cerebrovascular e factores de risco vascular não controlados;
- perturbação neurocognitiva ligeira e doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.
Depressão, coração e cognição
A depressão pode afectar a atenção e a memória de forma marcada, por vezes ao ponto de se confundir com uma demência; nesses casos, o desempenho melhora com o tratamento do humor. Em pessoas mais velhas, uma depressão de início tardio pode também ser um sinal precoce de doença neurodegenerativa, o que justifica acompanhamento.
Depressão, doença cardiovascular e declínio cognitivo partilham mecanismos (inflamação, alterações vasculares, stress oxidativo) e factores de risco. É esta a área de investigação de Pedro Zuzarte.
Quando procurar avaliação
Quando as dificuldades são novas ou estão a agravar-se, são notadas por familiares ou colegas, interferem com o trabalho ou com tarefas do dia-a-dia, ou surgem associadas a alterações do humor, do sono ou do comportamento.
Como é feita a avaliação
Inclui a história clínica, idealmente com o contributo de alguém próximo, a revisão da medicação, a avaliação do humor e do sono e testes cognitivos breves. Consoante o caso, pode ser pedida uma avaliação neuropsicológica mais detalhada, análises e imagiologia cerebral. Quando indicado, o acompanhamento é articulado com a neurologia.
Tratamento e prevenção
O primeiro passo é tratar o que é tratável: depressão, ansiedade, insónia, défices vitamínicos, medicação inadequada. O controlo da tensão arterial, da diabetes e do colesterol, a actividade física, a estimulação cognitiva e social e a correcção de défices auditivos contribuem para proteger a saúde cognitiva. Estima-se que uma parte importante dos casos de demência esteja associada a factores de risco modificáveis. Quando existe demência, há tratamentos farmacológicos específicos e o apoio aos cuidadores é parte essencial do plano.
Perguntas frequentes
Os esquecimentos são normais com a idade?
Alguma lentificação e esquecimentos ocasionais de nomes ou objectos são habituais. Esquecer acontecimentos recentes de forma repetida, perder-se em locais conhecidos ou ter dificuldade em tarefas antes simples justifica avaliação.
A depressão pode parecer demência?
Sim. A depressão pode reduzir a atenção, a memória e a velocidade de pensamento. Distinguir as duas situações, que podem coexistir, é um dos objectivos da avaliação psiquiátrica.
Que exames são necessários?
Depende da história. Em geral incluem testes cognitivos, análises (por exemplo, vitamina B12 e função tiroideia) e, em muitos casos, imagiologia cerebral. A avaliação neuropsicológica completa é pedida quando os testes breves não são suficientes.
Referências
- National Institute for Health and Care Excellence. Dementia: assessment, management and support for people living with dementia and their carers (NG97). 2018.
- Livingston G, et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. Lancet. 2024;404(10452):572–628.
- Petersen RC, et al. Practice guideline update summary: mild cognitive impairment. Neurology. 2018;90(3):126–135.
Esta página é informativa e não substitui uma avaliação médica individual.