Um estado de exaustão que resulta de stress profissional crónico que não foi gerido com sucesso. Não é fraqueza nem falta de motivação, e merece ser levado a sério.
O burnout instala-se de forma gradual. Muitas vezes só é reconhecido quando o cansaço já não melhora com o descanso e o trabalho deixou de fazer sentido.
O que é
A Organização Mundial da Saúde descreve o burnout como um fenómeno ligado ao contexto de trabalho, resultante de stress crónico que não foi gerido com sucesso. Não é classificado como doença, mas pode coexistir com perturbações que o são, como a depressão, a ansiedade ou a insónia.
Caracteriza-se por três dimensões: exaustão física e emocional, distanciamento ou cinismo em relação ao trabalho e sensação de menor eficácia profissional.
Exaustão
Distanciamento e cinismo
Menor eficácia
As três dimensões descritas no burnout. Quando o humor e o interesse estão afetados em todas as áreas da vida, é preciso avaliar depressão.
Sinais
cansaço persistente que não recupera com o fim de semana ou as férias;
irritabilidade, impaciência e menor tolerância às pessoas;
dificuldade de concentração, esquecimentos e erros pouco habituais;
sono não reparador, dores de cabeça ou queixas físicas frequentes;
distanciamento, cinismo e perda de sentido no trabalho;
aumento do consumo de álcool, cafeína ou calmantes para aguentar.
Burnout ou depressão?
A fronteira nem sempre é clara. No burnout, as queixas centram-se no trabalho; na depressão, a tristeza, a perda de interesse e a culpa estendem-se a todas as áreas da vida. Quando o humor está persistentemente em baixo, quando o prazer desaparece também fora do trabalho ou quando surgem pensamentos de morte, é essencial uma avaliação médica, porque a depressão tem tratamento próprio.
Avaliação
A consulta caracteriza os sintomas, a sua evolução e o contexto profissional e pessoal, e procura perturbações associadas. Quando indicado, pedem-se análises para excluir causas médicas de cansaço, como alterações da tiroide ou anemia.
Recuperação
A recuperação combina medidas sobre o contexto de trabalho, quando são possíveis, com intervenção clínica: psicoterapia, regularização do sono, atividade física e tratamento da depressão, da ansiedade ou da insónia, se estiverem presentes. Em algumas situações é necessário um período de afastamento do trabalho, decidido em conjunto. O regresso planeado e gradual ajuda a prevenir recaídas.
A Organização Mundial da Saúde classifica o burnout como um fenómeno ocupacional e não como doença. Mas pode coexistir com depressão, ansiedade ou insónia, que são condições médicas com tratamento.
Férias resolvem o burnout?
Ajudam a recuperar, mas se as condições que o provocaram se mantêm, os sintomas tendem a voltar. A recuperação duradoura costuma exigir mudanças e, muitas vezes, acompanhamento clínico.
Quando devo procurar um psiquiatra?
Quando o cansaço e o desinteresse persistem há semanas, afetam também a vida fora do trabalho, perturbam o sono ou levam a consumir álcool ou calmantes para aguentar.
Referências
Organização Mundial da Saúde. Burn-out an «occupational phenomenon»: International Classification of Diseases (CID-11, QD85). 2019.
Maslach C, Leiter MP. Understanding the burnout experience: recent research and its implications for psychiatry. World Psychiatry. 2016;15(2):103–111.
Esta página é informativa e não substitui uma avaliação médica individual. Revisão clínica: Pedro Zuzarte, médico psiquiatra · Publicado e revisto: .
Uma avaliação psiquiátrica pode ser o primeiro passo.